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Alan Lemos, 34ª (AC) - Auditor da Receita Estadual (SEFAZ AC - 2024)

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De privatizado a auditor fiscal
Esperei muito por este momento e só tenho a agradecer. Atribuo minha aprovação a dois fatores diretos: a "bagagem" conquistada em anos de estudos para concursos e a forma como resolvia questões no TEC: montei um cadernão com todas as matérias, fazia uma questão e sorteava a próxima, de qualquer disciplina, para ciclar o mais rápido possível as 12-20 matérias da área fiscal diante da escassez de tempo, dificuldade de concentração e apego ao WhatsApp.

Percebi que concurso é “pot-pourri” (música): é bem mais útil saber um pouco de muitos assuntos do que muito de poucos assuntos. O TEC foi fundamental nesse processo, por causa das questões inéditas, primordiais para treinar legislação tributária, por conta dos comentários e especialmente pela ferramenta “aleatório”.

Dois terços da preparação foi resolvendo questões pelo aplicativo no celular, nas bolhas de tempo que me restavam ao longo do dia, enquanto as de cálculo deixava para fazer na mesa, no computador. Tirando o finalzinho da preparação, não conseguia estudar nem 10 horas por semana. Só podia começar a estudar lá pelas 21h ou 21:30h, geralmente cansado, precisava acordar cedo no dia para trabalhar e raramente tinha como estudar nos finais de semana.

Estudei para concursos em duas épocas da minha vida: durante dois anos a partir de 2009 e de 2019 até agora. Não existe “self-made man”, pessoa que obtém sucesso sozinha: a compreensão e a ajuda da família foram fundamentais nesses resultados.

Na primeira época, estudei para vestibular e concursos ao mesmo tempo: passei em economia na UFPA (posteriormente migrei para contábeis) e fui chamado no IBGE, Funai, Banpará, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Transpetro e Petrobras Distribuidora S/A (BR Distribuidora, daí meu nick no TEC). Trabalhei por um tempo nessas instituições, mas escolhi esta última, onde cheguei ao meio do encarreiramento em apenas cinco anos.


Demissão em massa
No final de 2018, ficou claro que a BR Distribuidora seria privatizada. A sensação era de bater no iceberg e pensar: "tá, e agora? Quanto tempo de sobrevida nos resta?" A solução foi voltar a estudar. O concurseiro estava enferrujado, mal se lembrava do mnemônico LIMPE, mas começou a fazer todo e qualquer concurso, sem foco.

Na época da covid-19, sem alarde, 24 mil concursados foram expulsos em massa da Administração Pública Federal Indireta através de privatizações de empresas como Eletrobras, Petrobras Distribuidora e Liquigás, entre outras. O prejuízo financeiro por cabeça foi equivalente a um apartamento, e eu fui apenas mais um. Depois de já ter tomado um número de posses, estava desempregado e procurando emprego durante a pandemia.

Alguns colegas passaram em outros concursos, abriram pequenas empresas, se mudaram para o exterior, outros foram estudar medicina, virar youtuber e, infelizmente, dois tiraram a própria vida. Tramitam algumas propostas no Congresso para recuperar esses (des)concursados, pois foi um verdadeiro assalto à segurança jurídica e a maioria ainda está mal colocada.

A ferrugem deu lugar à memória treinada e as aprovações demoraram mais que o desejado, mas vieram.


Retomada
Na segunda época, fui chamado para a Sead-AP (técnico e analista de finanças e controle), RPPS-PA (analista de investimentos), contador da Seplad-PA, da Prefeitura de Belém e da Defensoria Pública-PA, onde estou hoje, entre outros que apenas fiquei no CR: como a área de controle. Passei em um TAF e herdei uma vaga de perito contábil na Perícia Criminal-PA, mas infelizmente não houve reposição dos desistentes.

Quase três anos antes da Sefaz-AC, decidi virar a chave de controle para fiscal. Comecei a engatinhar do zero matérias em fiscais que nunca tinha visto e meu primeiro concurso de fazenda foi a Sefaz-RR 2021, onde fiquei em 858º. Tirei férias de 30 dias para estudar para a Sefa-PA, mas fui eliminado. Eliminado também fui na Sefaz-AP, mas fiquei em 69º na Sefaz-AM.

Para a Sefaz-AC (Cebraspe), após calcular prováveis aposentadorias e desistências, planejava, quem sabe, com muita sorte, se Deus permitisse, ficar no tão sonhado 70º lugar entre 45 vagas. Acabei passando dentro das vagas.

De todo o “top 45”, tirei a menor nota de específica: 75%, insuficiente para passar na vaga; mas tirei a maior nota de básica do concurso inteiro: 90%, incluindo fechar português, o que me colocou para dentro. Fiquei a uma questão de fechar algumas matérias e vejo que não podemos “deixar a peteca cair” em nenhuma.


Camadas
Digo que as aprovações acontecem “em camadas”: a pessoa inicia agora o estudo e passa em nada, depois ela começa a vencer os cortes e, posteriormente, começa a ficar bem-posicionada no CR. Em outra fase, começa a ser nomeada para cargos “escada” e assim vai “dando o unlock” em camada por camada, podendo focar na carreira que ela sonha.

De “hoje” até o dia da prova, a preparação envolve, na minha opinião, três fases sequenciais: (i) o estudo extensivo, mais longo, detalhado, explicado e pedagógico em algum cursinho online de sua escolha, (ii) o consumo de material compacto e denso, como resumos e aulões no YouTube estilo “tal assunto ou disciplina em uma aula” de 2h a 4h de duração e os disponíveis em seu cursinho, e (iii) exercícios. Com o passar dos semestres, as fases (i) e (ii) vão ficando cada vez menores e a (iii), maior. Quem passa em um concurso fiscal já está quase 100% só fazendo exercícios.

Quando errava uma questão ou acertava sem segurança, tentava sanar primeiro através dos comentários no TEC e, caso continuasse com dúvida, ia ao Youtube, resumos feitos por mim ou comprados e chat GPT (só o recomendo para ciências exatas, linguagens e TI). Mas isso tudo depois de já ter pegado base em todas.


Botão shuffle
Como a área fiscal tem de 12 a 20 disciplinas, não tinha como estudar uma ou duas matérias por dia, enquanto trabalhava 10h brutas diárias e com intensos compromissos familiares. Às vezes passava até três ou quatro dias sem estudar, então levaria cerca de 20 dias para fechar o ciclo de disciplinas, sem lembrar do que havia visto quando voltasse para a primeira.

A solução foi imaginar como encurtar esse ciclo. Nunca vi alguém fazer isso, mas sortear questões foi algo que comecei a fazer por mim em 2023 e acabou dando uma visão panorâmica do conteúdo diariamente. Só depois fiquei sabendo que especialistas recomendam fazer rodízio de assuntos para acelerar o aprendizado.

O estudo fica extremamente claro, ao meu ver, quando a gente consegue transformar o tema em uma brincadeira, como simular se nós estivéssemos naquelas situações: por exemplo, comprando e vendendo mercadorias (contabilidade), realizando atos da vida civil (direitos), tomando posse (RJU), jogos de estratégia (tributário e economia), pensar em correlações de risco-probabilidade se aplicando na nossa vida (auditoria e estatística), considerar o orçamento doméstico (política fiscal), brincar de inverter os elementos gramaticais da frase ou imaginar as regras de microeconomia se encaixando no nosso cotidiano.

Se não der para transformar em um joguinho, o segundo melhor cenário é conseguir “pegar o norte” daquela disciplina, adquirir o “bom senso daquela ciência”: o que nos permite eliminar alternativas, ficar entre duas e até acertar uma pergunta que não sabemos a resposta.

Outra coisa importante nessa construção foi criar meus mnemônicos através de experiências próprias, memorizar vários números ao ligá-los, por exemplo, a datas de nascimento, estaturas e tamanhos de calçados de parentes próximos, além de conseguir resolver questões a partir de situações jurídicas vividas em primeira pessoa. Nunca usufruí de algum serviço como coaching ou mentoria, mas, com a cabeça que tenho hoje, com certeza eu teria contratado alguma.

Consigo me lembrar de já ter comparecido a 78 provas de concurso: fui chamado em 19, incluindo a Sefaz-AC. Fiquei meramente no CR em 31 e fui eliminado em 28.