
Olá, Nação concurseira, como vai essa vida bandida que é estudar para concursos públicos ? (como diz Diogo Moreira).
Meu Nome é Carlos Eduardo Tahara Henriques, tenho 41 anos, e sou formado em T.I. - Sistemas de Informações, exerci por 5 anos a profissão como programador de sistemas e, atualmente, ocupo o cargo de Escrevente Técnico Judiciário do TJ/SP desde 2017. Hoje aprovado para Auditor Fiscal da Sefaz-AM em 9° lugar como Pcd.
Antes de entrar no assunto propriamente dito, para contextualizar, conto um pouquinho da minha história de vida.
Venho de uma família classe média baixa, meu pai, hoje reformado como Sargento da Policia Militar de SP, era o único que trazia o dinheiro para dentro de casa (éramos em 5). Sempre estudei em escola pública, na verdade nunca fui de estudar e só fazia o suficiente para passar de ano. Com 15 anos de idade fui trabalhar no Japão, sou descendente. Com o dinheiro que juntei lá consegui pagar minha própria formação superior - formei-me no final de 2010. Trabalhei como programador por 5 anos até meados de 2014.
Um certo dia, em março de 2014, quando saiu o edital da receita federal, meu “cunhado” comentou que pensava em estudar para concurso público, na época, para AFRFB. Aquele assunto virou uma chavinha no meu consciente e, de forma muito rápida, entrei nesse universo. Comecei a pesquisar sobre material, cursos, como estudar da maneira certa, técnicas, etc. Investi muitas horas para levantar tudo isso e de forma amadora, ainda, dei inicio aos estudos. Lembro-me que assinei o site do “Eu vou Passar” do João Antônio e foi lá que conheci nosso querido professor Ricardo Vale que ministrava a disciplina de Comércio Internacional, posteriormente, migrei para o Estratégia Concursos e Assinei o TEC. Então pode-se dizer que iniciei os estudos para concursos públicos em meados de março/abril de 2014 e, naqueles tempos, já almejava o cargo da RFB como a maioria da área fiscal que iniciava naquela época.
Iniciado nessa jornada, estudava o que conseguia, pois trabalhava 8 horas por dia e 40 (quarenta) horas semanais. Iniciei do zero, pois tinha uma base fraca demais. Ensino público fraco e a faculdade foi uma dessas que só serve para conseguir o diploma superior. Pois bem, por volta de 3 ou 4 meses de estudos percebi que se continuasse daquela forma ir-se-ia demorar muito tempo para conseguir uma aprovação na RFB. Não tinha muitas horas líquidas disponíveis para estudar em razão do trabalho, mas tinha uma fome grande para estudar, foi ai que decidi pedir demissão do meu trabalho para me dedicar exclusivamente aos estudos (possuía uma reserva financeira), e lembro-me bem disso porque todos da família chamaram-me de louco, eram muitas críticas. Naquela época havia casado-me recentemente e minha esposa estava grávida da minha primeira filha, hoje com 7 anos de idade.
Contextualizado, agora entro no assunto que é o de maior interesse do leitor que está lendo este depoimento emocionado, o primeiro concurso realizado foi o da SEFAZ-MA em 2016, foi o primeiro que fiz considerado de grande porte e lá consegui buscar um 12° lugar na lista Pcd. Fiquei satisfeito com o resultado, sabia que estava trilhando o caminho certo. Ainda em 2016, as minhas reservas financeiras estavam minadas e sabia que não conseguiria permanecer sem trabalho, não havia quem me auxiliasse financeiramente. Minha esposa, grávida, não tinha como trabalhar.
Nesse período saiu edital para o cargo que ocupo hoje TJ/SP. Pensava que seria bom ter um trabalho meio, mas com o objetivo ainda de ser auditor. Tirei o foco da área fiscal naquele período e estudei para as disciplinas de tribunais obtendo a aprovação, tomei posse em 2017. Já no tribunal, acomodei-me e interrompi completamente os estudos e aqui fica um grande conselho “nunca pare”.
Fora difícil manter o foco, serviço novo, havia um bebe em casa, minha esposa grávida de novo, mudança de cidade, etc. Retornar os estudos não é uma tarefa fácil, todavia, passado essa fase mais pesada retornei aos estudos em 2019, não me lembro o mês exato, naquele ano fiz a prova do ISS Guarulhos obtendo o 9° lugar Pcd e logo depois prestei a prova do ISS Campinas obtendo o 3o lugar Pcd. Posteriormente, também prestei a prova da Sefaz-AL em 2020 e em seguida Sefaz DF, foram todos na sequência. Na Sefaz-AL me classifiquei dentro das vagas na objetiva (se não me engano em 7°), mas desclassificado na discursiva. Já no DF também consegui ficar ali no cadastro reserva na objetiva, mas como a discursiva nesse caso demorou a ocorrer em razão da pandemia na época acabei perdendo a convocação para discursiva. É isso mesmo, saiu a convocação e eu nem vi, não estava estudando mais, foi a segunda vez que “PAREI” e novamente chamo a atenção dos senhores, não PAREM jamais. No início do segundo semestre de 2020 já não estava estudando mais, novamente problemas da vida atrapalhando a jornada, estava mexendo com reforma de casa, novamente mudança de cidade e naquele momento dedicava-me ao estudo do mercado financeiro e tudo isso tirou-me novamente o foco dos concursos.
Seguindo, em Janeiro de 2022, exatamente dia 15 de Janeiro, decidi retornar aos estudos. Sempre com motivações positivas e outras nem tantas, como, por exemplo, a insatisfação no cargo atual do serviço público. Do início do 2° semestre de 2020 até janeiro de 2022 foram 18 meses sem estudar, mas retornei e, logo, 2 ou 3 semanas depois saíra o edital da Sefaz-AM, a partir desse momento, havia 3 meses e 20 dias até a prova.
O retorno aos estudos é custoso e passei por isso 2 vezes. Atualmente, trabalho 8 horas diárias e também foi muito custoso consegui realizar esse pós edital - Sefaz-AM - com intensidade. Minha rotina nesse edital era dormir as 21:00 horas, iniciar os estudos as 3:00 horas da manhã, conciliar o trabalho das 9:00 as 17:00 horas, estudar novamente entre as 18:00 horas até as 21:00 horas e assim sucessivamente, inclusive aos sábados e domingos (estudava o dia todo) e nesse edital cheguei no limite, encontrei a exaustão. A minha deficiência é visual (baixa visão), então sofro bastante por ficar várias horas na frente da tela do computador, dores de cabeças diárias por forçar a vista, dores nas costas de permanecer sentado praticamente 17/19 horas por dia (somando trabalho e estudos). Mas no fim deu tudo certo e finalmente o 9° lugar (dentro das vagas). Como dizem, você pode ter 100 derrotas nesse universo de concurso público, mas só precisa de uma vitória.
Por fim, espero que esse depoimento possa motivar cada um dos senhores a permanecer firme nessa jornada, como leitores viram que a minha história iniciou lá em 2014 e até hoje ainda luto, não pretendo parar por agora apesar de ter colocado o nome na lista de aprovados, creio que posso um pouco mais e ainda pretendo voltar para perto de casa (São Paulo). A sorte os favorecerá a cada dia que estudarem efetivamente. Tenho certeza que os que passam não é o mais inteligente, mas posso afirmar que são os determinados. Se os senhores colocarem a energia necessária, chegarão aonde desejarem. Mencionando erros e acertos, se por um lado ter abandonado os estudos em algumas ocasiões fora um grande erro e isso prolonga a jornada, por outro lado a resiliência e a energia que colocara nesse objetivo é o fator que determinará a sua aprovação. Outro conselho que posso deixar, é a resolução de questões, é a prática intensiva que permitirão aos Senhores ficarem competitivos e o TEC os auxiliarão nesse sentido. Excelentes professores, bem como uma comunidade extraordinária. Comentários que agregam demais ao nosso conhecimento e o entendimento do assunto.
Desejo boa sorte quem encontra-se nessa jornada extraordinária, se tivesse que voltar lá atrás faria novamente.