
1) Quais são as suas aprovações (cargos e colocação)?
2) Qual sua formação e por que decidiu estudar para concursos? Fique à vontade para nos falar de sua história.
Sou formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Decidi estudar para concursos públicos porque, dentre as opções que a Faculdade de Direito proporciona, identifiquei-me mais com a carreira pública. A Faculdade de Direito abre três grandes caminhos: a carreira acadêmica, a advocacia privada e os concursos públicos. Optando pelo concurso público, percebi que poderia, eventualmente, seguir os outros dois caminhos, se assim desejasse, com muito mais estabilidade.
No terceiro semestre da faculdade, decidi que meu foco seria a carreira nos concursos públicos. A partir dessa decisão, direcionei meus estudos na faculdade para alcançar esse objetivo, preparando-me de maneira dedicada para as provas e desafios que essa trajetória exige. Todavia, fui aprendendo a estudar ao longo da faculdade, tendo começado a fazer um curso extensivo para procuradorias no quinto semestre da faculdade.
3) Há quanto tempo estuda para concursos? Quantas horas por dia você estudava?
Eu estudei por um longo período para concursos públicos. Comecei a me dedicar seriamente aos estudos no quinto semestre da faculdade, quando iniciei um curso extensivo. Após esse curso, continuei estudando por cerca de um ano e meio até garantir meu direito subjetivo à nomeação na Procuradoria do Distrito Federal. No total, levei aproximadamente quatro anos, talvez três anos e meio, para alcançar esse objetivo. Grande parte desse tempo foi durante a faculdade, o que me permitiu ter um horizonte de tempo mais longo e estudar com mais calma.
Ao longo desse período, passei por diferentes fases e ritmos de estudo. Houve momentos em que estudei intensamente e outros em que estudei menos, mas nunca parei de estudar . Mesmo tirando uma ou duas semanas de férias de vez em quando, nunca passei meses sem estudar. Esse estudo contínuo, construído "um tijolinho por vez", foi essencial para minha aprovação.
Sempre digo que o estudo para concursos pode ser dividido em duas fases principais. A primeira é a fase de apreensão do conteúdo, onde se faz um curso extensivo focado na carreira escolhida. No meu caso, escolhi a carreira de procurador logo no terceiro semestre da faculdade, pois era uma área que me atraía muito e permitia prestar provas imediatamente após a graduação, ao contrário de carreiras como magistratura e Ministério Público, que exigem três anos de prática jurídica.
Durante minha preparação, a quantidade de horas de estudo diário variou. Houve períodos em que estudei entre três horas e meia líquidas e outros em que cheguei a estudar sete a oito horas líquidas, especialmente quando o edital da Procuradoria do Distrito Federal foi publicado. Minha rotina de estudo também variou; em certos períodos, eu estudava apenas pela manhã, acordando cedo para estudar antes de ir para a faculdade à tarde e tendo aulas à noite. Em outros momentos, minha carga de estudo era mais intensa. O importante é que sempre mantive a constância e a dedicação, ajustando minha rotina conforme necessário.
4) Qual a importância da resolução de questões na sua preparação? Como o Tec te ajudou nessa tarefa?
A resolução de questões é absolutamente fundamental na preparação para concursos. Dentro do estudo, há quatro pilares principais: doutrina, questões, jurisprudência e lei seca. A doutrina corresponde ao estudo inicial, onde se faz um curso extensivo para ter um contato inicial com os principais institutos jurídicos. Esta é a fase mais demorada e difícil.
Após a fase inicial de feitura de um curso extensivo, é muito importante dedicar mais tempo aos outros três pilares do estudo para concursos (questões, lei seca e jurisprudência). As questões são um desses pilares e possuem múltiplas funções ao longo da preparação. Primeiramente, elas simulam o que se enfrentará na prova, sendo necessário fazer tanto em questões objetivas quanto subjetivas. Assim, ferramentas como o TEC Concursos são extremamente valiosas, pois oferecem uma gama enorme de questões comentadas para simular e avaliar o desempenho, ajudando a monitorar a evolução.
Além da simulação, as questões são essenciais para a revisão. Eu costumava resolver questões de forma aleatória, criando cadernos específicos para cada matéria como Direito Constitucional, Administrativo etc. Dentro desses cadernos, colocava todo o conteúdo relacionado à matéria e resolvia questões aleatoriamente. Por exemplo, em um dia resolvia 30 questões de Administrativo e 20 de Constitucional, sem escolher o assunto específico. Isso me permitia revisar constantemente diversos institutos jurídicos, solidificando meu conhecimento por estar sempre revisando.
Eu também simulava provas anteriores, verificando quais carreiras jurídicas tinham exames recentes e resolvendo questões dessas provas na ordem das disciplinas que tinha pertinência com os concursos de procuradorias. Focava nas bancas mais comuns nas carreiras que eu almejava, como Vunesp, FCC, FGV e CESPE. A prática constante é indispensável para a aprovação. Resolvi cerca de 30 mil questões apenas no TEC Concursos, o que foi crucial para meu sucesso. Não conheço nenhum aprovado que não tenha resolvido milhares de questões.
5) Recado aos demais concurseiros e considerações finais.
O recado que tenho para dar é que a jornada para aprovação em concursos públicos é extremamente desafiadora. Você passará por fases difíceis e, se não se dedicar intensamente e não mantiver constância, as chances de sucesso diminuem muito. Concurso é um compromisso sério que você assume, ciente de que estará competindo com muitas pessoas altamente capacitadas. No entanto, saiba que, se você se dedicar bastante, inevitavelmente se tornará uma dessas pessoas.
É fundamental aprender com as reprovações. Cada reprovação ensina algo valioso. Reprovei diversas vezes ao longo do caminho. Fui reprovado na segunda fase da Procuradoria do Estado de Goiás, depois de passar em quinto lugar na primeira fase. Também reprovei na Procuradoria do Estado de Alagoas e do Mato Grosso do Sul, ambas na segunda fase. Não pude fazer a prova oral da Procuradoria do Município de Florianópolis, pois coincidia com a prova oral do Distrito Federal. Todas essas reprovações me ensinaram muito e permitiram que eu visse meu desempenho evoluir ao longo das provas, apesar de alguns retrocessos. Mantendo-se firme, o caminho é ascendente.
A constância nos estudos é crucial. Valorize o estudo da lei seca e da jurisprudência. Leia o texto normativo diariamente e estude jurisprudência com frequência. Resolver muitas questões é essencial. Formar uma base sólida no início da preparação é vital, e revisar frequentemente é extremamente importante.
Além disso, às vezes é a prova que escolhe você. Meu maior sonho era ser Procurador do Distrito Federal, e consegui essa aprovação, tendo pedido final de fila para este cargo. No entanto, atualmente exerço o cargo de Advogado do Senado Federal, uma posição absolutamente incrível que alcancei de forma despretensiosa. Fui fazer a prova sabedor das minhas limitações e ciente de que se tratava de um dos cargos mais difíceis e concorridos do Brasil. Todavia, estava relaxado, pois acreditava que não tinha muitas chances, além de já estar tranquilo pois havia sido aprovado no cargo dos meus sonhos (Procurador do Distrito Federal).
A prova do Advogado do Senado foi extremamente difícil e complexa, abrangendo inúmeras matérias, incluindo inglês, raciocínio lógico-matemático e quase todas as disciplinas jurídicas. A prática constante de questões me deu o "feeling" necessário para acertar questões, mesmo em temas que não estudei profundamente, como o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Por fim, fica a minha dica para que você se dedique intensamente, faça do concurso o centro da sua vida por um período. Todas as outras atividades devem orbitar esse objetivo central. É um sacrifício temporário, pois após a aprovação, você terá uma vida mais equilibrada e saudável. O esforço vale a pena, e a recompensa é imensurável.