
Desde pequeno, sempre falei que gostaria de fazer concurso público, em grande parte, por influência da minha família. Ainda assim, a partir das experiências profissionais que eu tive na faculdade, decidi advogar. Assim, logo que eu me formei, em 2016, eu abri o meu escritório e fui em busca de clientes.
No início de 2020, contudo, eu estava cansado e desanimado com a rotina da advocacia. Geralmente surgiam clientes com demandas que eu não tinha interesse ou que pagavam pouco. Não bastasse isso, as menores causas eram justamente aquelas que os clientes mais exigiam.
Dentro de mim, eu sentia que eu tinha um potencial inexplorado. Queria ir além, mas o ambiente que eu estava inserido não me proporcionava isso. É complicado falar em meritocracia dentro da advocacia, pois existe uma série de características que fazem os profissionais prosperarem na carreira. O fato era que eu não estava satisfeito.
Considerei procurar vagas em setores jurídicos de empresas, mas os salários também não eram atrativos. Foi aí que me deu um estalo: por que não estudar para um concurso público que me permitisse advogar? Eu poderia fazer valer as minhas principais características (foco, estudo e organização) para alcançar a minha sonhada estabilidade e também potencializar a minha vida profissional.
Estava lançada a meta: passar em um concurso que ganhasse bem, me possibilitasse advogar e fosse em Santa Catarina.
No início, eu comprei um curso com videoaulas. Eu assistia as aulas e anotava tudo no word, para depois revisar. Porém, senti que estava perdendo muito tempo. Assim, cerca de 3 meses depois, adquiri um curso que fornecia materiais em PDF. Senti que aquilo funcionava melhor para mim.
Eu imprimia todos os materiais em uma gráfica, pois o contato com o papel facilitava a minha organização e a absorção do conteúdo. Grifava o material com marca-texto, de modo que eu revisava lendo apenas as partes marcadas.
Estudava de segunda a sexta-feira, por cerca de 05 horas. Dividia em períodos de 50 minutos, cronometrados no celular, intercalados com 10 minutos de descanso. Geralmente eram 2 períodos pela manhã e 04 pela tarde. Também estudei alguns sábados e domingos, mas considerava esse período de descanso muito importante para me manter motivado e saudável.
Geralmente eu lia uma matéria por dia, durante uns 04 períodos. Depois realizava questões e lia a jurisprudência.
E aqui cabe um destaque especial. O Tec Concursos foi essencial na minha aprovação. É uma ferramenta que possui um banco de questões enorme, mas, principalmente, possui filtros valiosos que ajudaram muito no direcionamento do estudo.
Eu realizava questões de toda a matéria do dia, não só daquilo que eu havia estudado. Isso me ajudava muito na fixação do conteúdo, na revisão para as provas e no acompanhamento da minha evolução. Uma coisa é certa, as questões que farão você ser aprovado. E elas se repetem muito!
É importante destacar que, logo que eu comecei a estudar, veio a pandemia. Por consequência, todos os concursos foram suspensos ou adiados. Isso poderia ter me desestabilizado, mas me potencializou. Pisei mais fundo no acelerador. Fiquei mais de 01 ano e meio apenas estudando.
Fiz a minha primeira prova em setembro de 2021, quando fiquei em 5º lugar na primeira fase do concurso de Procurador do Município de Criciúma/SC. Resolvi não fazer a segunda fase, pois não tinha a pretensão de assumir o cargo.
Posteriormente, em outubro, fiz a prova da Procuradoria do Estado de Goiás e tomei um enorme tombo. Não passei para a segunda fase. Achei a prova bastante complicada e sentia que precisava evoluir nos estudos.
Veio a prova da Procuradoria do Estado do Rio Grande do Sul, em novembro, e com ela a aprovação para a segunda fase. Fiquei muito feliz, pois era um grande concurso. As provas da segunda fase seriam no início de janeiro de 2022. Estudei bastante, mas, no meio de dezembro, peguei covid. Fiquei muito abalado mentalmente e fisicamente. Praticamente não consegui estudar a partir dali, pois não tinha concentração alguma. Inclusive, cogitei não fazer a prova. Ainda assim, fui lá e fiz. Fiquei por pouco.
Posteriormente, tive que tomar uma decisão. Teria a prova da PGM-Florianópolis em fevereiro e do TCE/SC em março. Eu estava muito desgastado e sentia que tinha que dar o tiro certo. Assim, optei em focar exclusivamente na prova da TCE/SC. E deu certo! Em abril de 2022, tive a feliz notícia de que havia sido aprovado para o cargo de Auditor Fiscal de Controle Externo!
A minha posse foi em setembro de 2022. De lá pra cá, o sentimento é de realização e satisfação da escolha que eu fiz em 2020. Hoje ocupo o cargo de Subprocurador-Geral, trabalho com o que eu gosto e sinto que exploro o meu potencial. Também pude realizar outros sonhos, como adquirir meu primeiro imóvel e realizar viagens com a minha família.
Olhando em retrospectiva, vejo que não há problema em negociarmos com os nossos sonhos. O importante é seguirmos em frente, de maneira estratégica e com as ferramentas certas.
Obrigado!
Juliano Frassetto Velho